PointSky é um serviço de correção GNSS baseado em PPP-RTK (Precise Point Positioning) que fornece posicionamento centimétrico sem necessidade de uma base RTK local. Desenvolvido pela CHCNAV e integrado em receptores como o i85 (disponível para compra) e o novo i93 (que ainda não está disponível), o sistema utiliza correções orbitais, relógio satelital e modelagem atmosférica para reduzir erros GNSS em operações de topografia, agrimensura e agricultura de precisão.
Na prática, o PointSky ocupa um espaço intermediário entre RTK tradicional e PPP público. Ele elimina parte da infraestrutura necessária em levantamentos GNSS, mas ainda depende de convergência para atingir precisão centimétrica estável.
Esse detalhe importa porque muita gente interpreta o PointSky como “RTK sem base”. Operacionalmente, não funciona assim.
O que é PointSky?
PointSky é um serviço PPP comercial otimizado da CHCNAV. O sistema envia correções GNSS via internet e satélite Banda-L para melhorar a precisão de posicionamento sem depender de uma estação base RTK instalada no local ou conexão com a internet móvel (GSM).
Diferente do RTK convencional, o PointSky não entrega inicialização praticamente instantânea. O receptor precisa passar por um processo de convergência PPP até atingir estabilidade centimétrica.
Em condições ideais, isso pode acontecer em poucos minutos. Em campo real, especialmente no Brasil, o comportamento costuma variar mais do que as especificações comerciais sugerem (por enquanto. A previsão é que a convergência fique cada vez melhor no Brasil).
Por que esse tipo de solução existe?
Para entender onde o PointSky faz sentido, primeiro é necessário separar os diferentes métodos de correção GNSS.
RTK tradicional
RTK entrega velocidade operacional extremamente alta. Em muitos levantamentos urbanos, a solução fixa acontece em segundos e a equipe consegue coletar dezenas de pontos por hora.
O problema é a infraestrutura.
RTK normalmente exige:
- Base local com coordenadas conhecidas
- Rádio ou conexão de internet estável
- Equipe preparada para manter comunicação contínua
- Boa cobertura na área do levantamento
Isso funciona muito bem em ambiente urbano, áreas rurais ou áreas com boa conectividade. Em regiões remotas, serras, florestas ou propriedades rurais muito extensas, a operação pode, eventualmente, começar a ficar mais complicada.
Levar base para determinados cenários simplesmente deixa de ser prático.
PPP público
Soluções PPP públicas, como Galileo HAS ou alguns serviços NTRIP gratuitos, eliminam a necessidade de base local.
O custo dessa simplicidade é o tempo de convergência e uma boa precisão
Dependendo das condições atmosféricas e da geometria dos satélites, alcançar precisão centimétrica pode levar entre 15 e 30 minutos. Em aplicações ocasionais, isso pode ser aceitável. Em operações produtivas de campo, normalmente não é.
PPP comercial otimizado
É aqui que entram serviços como PointSky.
A proposta é reduzir tempo de convergência utilizando:
- Redes globais de monitoramento GNSS
- Modelagem atmosférica refinada
- Correções orbitais e de relógio mais precisas
- Distribuição contínua de dados via internet e satélite
O objetivo não é substituir RTK em todos os cenários. O objetivo é tornar viável o posicionamento centimétrico em locais onde manter infraestrutura RTK é difícil, caro ou operacionalmente inviável.
Como o PointSky funciona na prática?
Do ponto de vista técnico, o PointSky atua principalmente sobre duas fontes clássicas de erro GNSS.
A primeira é o próprio satélite.
Satélites GNSS não estão exatamente na posição que o receptor assume em tempo real. Pequenos erros orbitais e desvios de relógio geram imprecisão acumulada no cálculo de posição.
O PointSky utiliza uma rede global de estações de monitoramento para calcular essas discrepâncias e enviar correções ao receptor.
A segunda fonte de erro está na atmosfera.
O sinal GNSS atravessa ionosfera e troposfera antes de chegar à antena. Esse trajeto sofre atrasos variáveis dependendo de:
- Umidade
- Temperatura
- Atividade ionosférica
- Condições climáticas
- Latitude da região
O sistema modela esse atraso continuamente e ajusta o cálculo de posição com base nessas correções.
Sem esse tipo de modelagem refinada, um PPP convencional demoraria muito mais para atingir precisão semelhante.
Banda-L e internet: como as correções são entregues
O PointSky utiliza dois meios principais para transmissão de correções:
| Via | Funcionamento | Cobertura | Realidade no Brasil |
| Banda-L | Correções transmitidas via satélite Inmarsat | Regional | Cobertura parcial |
| Internet | Correções via HTTPS/NTRIP | Onde existe rede móvel | Muito mais comum |
Na teoria, existe redundância operacional. Se uma via falha, a outra continua transmitindo.
Na prática brasileira, a maioria das equipes ainda depende bastante de internet móvel. Em parte do Sul e Centro-Oeste a Banda-L costuma funcionar melhor. Já em regiões mais ao norte ou em áreas de vegetação densa, a experiência pode variar bastante.
Nota-se que o PointSky (Banda-L) não é adequado para trajetórias com rotas bloqueadas por estruturas físicas (como árvores, fachadas, muros etc.), apresentando, nestas situações, solução flutuante. Neste caso, o PointSky é ideal para áreas abertas (sem obstruções leves).
Especificação de laboratório vs. campo real
Esse talvez seja o ponto mais importante do artigo.
Boa parte dos materiais comerciais apresenta convergência PPP em condições extremamente controladas:
- Céu totalmente aberto
- Baixa interferência
- Atmosfera estável
- Excelente geometria satelital
Nessas condições, convergência de 3 a 5 minutos realmente pode acontecer.
Só que levantamento real raramente acontece em ambiente de laboratório.
O que normalmente acontece em campo
Em operação prática, alguns fatores costumam aumentar o tempo de convergência:
| Condição | Tempo comum de convergência |
| Céu aberto ideal | 3–5 min |
| Nebulosidade ou instabilidade próxima | 8–12 min |
| Árvores ou obstrução parcial | 10–15 min |
| Verão úmido em região tropical | 12–20 min |
| Poucos satélites visíveis | 15–30 min ou sem convergência |
O problema mais subestimado: precisão vertical
Horizontalmente, o PointSky costuma entregar resultados bastante consistentes quando existe boa visibilidade de satélites.
A vertical é outra história.
Em campo parcialmente obstruído, não é incomum observar degradação vertical significativa, principalmente em:
- Áreas arborizadas
- Ambiente urbano com multipath
- Regiões montanhosas
- Locais com baixa abertura de céu
Em especificação, muitos serviços PPP trabalham próximos de 6 cm vertical.
Na prática operacional, especialmente com obstrução parcial, valores entre 8 e 15 cm acabam sendo mais comuns. Em cenários ruins, isso pode aumentar ainda mais.
Isso acontece porque a precisão vertical depende fortemente do ângulo de observação dos satélites e da estabilidade atmosférica naquele instante.
É justamente aqui que aparece um dos erros mais perigosos em campo: assumir que precisão horizontal excelente automaticamente significa vertical confiável.
Nem sempre significa.
Atualmente, a precisão horizontal (Norte, Este) é de 3 cm e a precisão vertical (altitude) é de 15 cm no Brasil. O objetivo da CHC é alcançar, em breve, uma precisão horizontal (Norte, Este) de 2.5 cm e uma precisão vertical (altitude) de 6 cm.
Onde o PointSky realmente faz sentido?
Levantamentos remotos
PointSky funciona muito bem em operações em que a infraestrutura RTK tradicional se torna complicada.
Isso aparece bastante em:
- Propriedades rurais extensas
- Áreas de serra
- Levantamentos longe de CORS
- Locais onde manter rádio RTK é inviável
Nesses cenários, a pergunta deixa de ser:
“Qual solução é mais rápida?”
E passa a ser:
“Qual solução continua funcionando operacionalmente?”
É uma diferença importante.
Agricultura de precisão
Em grandes áreas agrícolas, múltiplas bases RTK podem aumentar o custo operacional rapidamente.
Sistemas PPP otimizados conseguem reduzir parte dessa infraestrutura, especialmente em aplicações de guiamento agrícola contínuo.
Em máquinas que já trabalham integradas com correções GNSS, o tempo de convergência normalmente acontece durante deslocamento inicial ou manobras operacionais, reduzindo impacto prático na produtividade.
Operações em regiões sem infraestrutura
Também existem aplicações específicas envolvendo:
- Fronteiras
- Áreas sem acesso confiável a CORS
- Regiões com limitação de rádio
- Operações temporárias de difícil logística
Nesses casos, a independência de uma base local passa a ter peso operacional muito maior do que velocidade absoluta.
Onde RTK continua muito superior?
Existem cenários em que o modo RTK ainda domina com folga.
Levantamento urbano denso é o exemplo mais óbvio.
Quando existe boa infraestrutura CORS e necessidade de produtividade alta, RTK normalmente entrega:
- Solução Fixa quase instantânea
- Maior volume de pontos coletados por hora
- Operação mais fluida
- Validação mais simples em campo
Em perímetro, cadastro, locação rápida ou levantamento detalhado, esperar convergência PPP em cada mudança operacional geralmente não faz sentido.
Engenharia com tolerância apertada
Outro cenário delicado envolve obras com tolerância vertical restritiva.
Aplicações como fundações, drenagem, alinhamento estrutural ou qualquer atividade com margem pequena de erro normalmente exigem validação muito mais rigorosa.
Em vários desses casos, profissionais acabam preferindo:
- RTK validado
- Estação total
- Nivelamento
- Métodos redundantes de verificação
Não porque PPP seja inútil, mas porque o risco operacional muda completamente quando centímetros verticais podem representar impacto técnico, financeiro ou contratual.
A parte que quase ninguém explica: validação
Toda equipe que usa PPP profissionalmente desenvolve algum protocolo próprio de validação.
Isso raramente aparece em material comercial, mas aparece rápido no campo.
Uma rotina bastante comum inclui:
- Ocupação inicial com PointSky
- Espera pela convergência completa
- Conferência com RTK, NTRIP ou ponto geodésico de coordenadas conhecidas
- Comparação de discrepâncias observadas
- Revalidação periódica ao longo da operação
Esse processo adiciona tempo na primeira obra, mas normalmente reduz muito o risco de erro silencioso.
Depois que a equipe entende o comportamento do equipamento na região e nas condições atmosféricas locais, a operação tende a ficar mais previsível.
Nota-se que, caso se opte por ajustar o modo PointSky com uma coordenada conhecida, a distância máxima para realizar levantamentos é de 5 km.
Como equipes experientes realmente trabalham
Na prática, poucas operações profissionais trabalham exclusivamente com um único método GNSS.
O cenário mais comum é combinação.
Um workflow bastante frequente envolve:
- RTK para georreferenciamento rápido
- PointSky em áreas remotas e sem obstruções físicas (mesmo leves)
- Validação cruzada periódica
- Retorno ao RTK sempre que a infraestrutura permite
Operacionalmente, faz muito mais sentido complementar métodos do que tentar transformar uma única solução em resposta universal.
PointSky vs. RTK vs. PPP público
| Aspecto | RTK | PointSky | PPP Público |
| Convergência | 3–30 s | 5-10 min | 15–30 min |
| Precisão Horizontal | ±1–2 cm | ±2,5 cm | ±5–10 cm |
| Precisão Vertical | ±2–5 cm | ±3–15 cm* | ±10–15 cm |
| Base Local | Sim | Não | Não |
| Validação Recomendável | Baixa | Alta | Alta |
| Melhor Cenário | Urbano e detalhado | Remoto e grande escala e sem obstruções | Uso ocasional |
* Valores típicos em campo parcialmente obstruído.
Nenhum método resolve tudo. Cada tecnologia prioriza velocidade, infraestrutura ou independência operacional de maneira diferente.
Quando vale a pena usar PointSky?
PointSky tende a funcionar melhor quando:
- A infraestrutura RTK é limitada
- A logística de base local é complicada
- A operação cobre áreas extensas
- Produtividade extrema não é prioridade principal
- Existe possibilidade de validação periódica
Por outro lado, normalmente não é a melhor escolha para:
- Levantamento urbano rápido
- Locação de alta precisão
- Tolerância vertical crítica
- Operações legais sem redundância
- Ambientes com obstrução severa contínua
CPE Tecnologia: suporte técnico em GNSS e posicionamento
A CPE Tecnologia atua há mais de duas décadas no suporte a operações envolvendo GNSS, RTK, PPP e posicionamento de precisão em diferentes cenários brasileiros.
Experiências em:
- Floresta amazônica
- Cerrado
- Regiões serranas
- Áreas urbanas densas
- Agricultura de precisão
Mostram que não existe solução universal em posicionamento GNSS. Existem soluções mais adequadas para cada ambiente operacional.
Além do fornecimento de equipamentos, a equipe atua com:
- Consultoria técnica
- Validação operacional
- Treinamento de equipes
- Integração RTK + PPP
- Troubleshooting em campo
- Suporte em seleção de receptores GNSS
Síntese operacional
O PointSky não substitui RTK em todas as aplicações. Também não foi desenvolvido para isso.
O sistema existe para ampliar capacidade operacional em cenários onde infraestrutura RTK tradicional se torna limitada, cara ou logisticamente difícil.
Quando usado com planejamento adequado, validação periódica e expectativa operacional realista, o PointSky pode resolver levantamentos que seriam extremamente complicados utilizando apenas RTK convencional.
Equipes que entendem essa diferença normalmente conseguem combinar RTK, PPP e validação de maneira muito mais eficiente em campo.
FAQ – Perguntas frequentes sobre PointSky
O PointSky é um serviço global de correção GNSS da CHCNAV que fornece posicionamento com precisão centimétrica via satélite Banda-L ou internet, sem necessidade de estação base local.
Atualmente, no Brasil, a precisão horizontal (Norte, Este) é de 3 cm e a precisão vertical (altitude) é de 15 cm. O objetivo da CHC é alcançar, em breve, uma precisão horizontal (Norte, Este) de 2,5 cm e uma precisão vertical (altitude) de 6 cm.
O tempo de convergência normalmente varia entre 3 e 5 minutos, podendo aumentar em locais com obstruções ou alta umidade.
Sim. O sistema pode receber correções via satélite Banda-L, permitindo operação em áreas sem cobertura de celular ou rádio UHF.
O RTK depende de uma estação base local. Já o PointSky utiliza tecnologia PPP para fornecer correções sem necessidade de infraestrutura em campo.
Não. O sistema não é recomendável para trabalhar em áreas com obstruções leves (matas, fachadas, marquises, etc), onde, normalmente, usa-se o modo RTK ou NTRIP sem problemas. O ideal é trabalhar com o PointSky em áreas abertas e sem obstruções, como áreas de mineração, estradas, pastos abertos, etc.
O PointSky é ideal para projetos em áreas remotas, propriedades rurais extensas e locais onde o uso de base RTK é inviável.
Sim. O serviço utiliza modelagem atmosférica avançada e redes globais de monitoramento, reduzindo significativamente o tempo de convergência e a precisão (por exemplo, quando comparado com o Galileo-HAS).
O serviço possui cobertura global via internet e cobertura Banda-L em toda a América do Sul, com excelente desempenho no Brasil.


