O avanço dos receptores GNSS nos últimos anos deixou de estar ligado apenas à precisão RTK. Em operações reais de topografia, agrimensura e locação, fatores como mobilidade, segurança, velocidade de coleta e redução de retrabalho passaram a ter peso tão importante quanto minimizar o erro centimétrico.
Dentro desse cenário, o CHCNAV i85 chama atenção por reunir no mesmo equipamento tecnologias que normalmente exigiriam múltiplos dispositivos em campo: GNSS RTK, IMU sem calibração, laser integrado para medição de pontos inacessíveis, locação visual e realidade aumentada.
Na prática, trata-se de um receptor desenvolvido para operações mais dinâmicas,, obras complexas, áreas com obstáculos físicos leves e levantamentos em que produtividade e segurança operacional fazem diferença direta no resultado final.
O que é o CHCNAV i85 e por que ele chama atenção no mercado?
O i85 é um receptor GNSS híbrido voltado para aplicações profissionais de topografia, infraestrutura, georreferenciamento e locação. Seu diferencial não está apenas no rastreamento GNSS avançado, mas na integração de recursos que reduzem limitações comuns da rotina de campo.
Em levantamentos tradicionais, é comum encontrar dificuldades para coletar pontos em locais com:
- Tráfego intenso
- Muros altos
- Taludes
- Fachadas
- Vegetação
- Áreas de risco operacional
Muitas vezes o problema não é falta de precisão, mas sim acesso físico ao ponto.
É justamente nesse tipo de situação que a combinação entre laser, IMU e navegação visual começa a fazer diferença prática. O operador consegue medir pontos remotamente, trabalhar com o bastão inclinado e localizar elementos de projeto com mais rapidez.
Outro ponto importante é a mobilidade.
Com aproximadamente 800g, o equipamento reduz fadiga em jornadas longas de campo, algo que costuma pesar bastante em levantamentos extensos ou operações contínuas de locação.
Principais tecnologias do CHCNAV i85
Levantamento a laser para pontos inacessíveis
O laser verde integrado do i85 permite realizar medições remotas sem necessidade de encostar fisicamente no ponto levantado. Isso muda bastante a dinâmica operacional em determinadas situações.
O funcionamento é relativamente simples: o receptor utiliza o posicionamento GNSS combinado ao apontamento do laser para calcular coordenadas do alvo remoto.
Como o feixe verde possui alta visibilidade, ele continua perceptível mesmo sob luz solar intensa, algo importante em operações externas.
Na prática profissional, isso costuma ser útil em:
- Fachadas;
- Muros;
- Bordas de rodovias;
- Encostas;
- Áreas alagadas;
- Estruturas elevadas;
- Locais com risco operacional.
Em vez de acessar fisicamente o ponto, o operador pode coletá-lo à distância. Além da segurança, isso reduz bastante o tempo gasto em deslocamentos.
Quanto à precisão, o sistema entrega desempenho compatível com aplicações topográficas usuais. Em distâncias menores, o erro tende a permanecer bastante controlado, desde que o operador mantenha boa visada e estabilidade durante a coleta. Lembrando que a precisão do levantamento com laser é de 2 cm a uma distância de 5 metros e 3 cm a uma distância de 10 metros.
Navegação visual e locação com realidade aumentada
Outro recurso interessante do i85 é a integração entre câmeras embarcadas e navegação visual via software LandStar.
Durante locações, o operador consegue visualizar elementos do projeto diretamente sobrepostos à imagem real do ambiente. Isso reduz a necessidade de interpretação constante entre tela, terreno e projeto.
Em obras urbanas, onde interferências visuais costumam dificultar a piquetagem, a realidade aumentada ajuda bastante na identificação dos pontos corretos.
Na prática, equipes de obra tendem a ganhar velocidade principalmente em:
- Locações lineares;
- Conferências rápidas;
- Implantação de projetos;
- Marcações em ambientes congestionados.
Também há redução de erros operacionais. Muitos retrabalhos em campo acontecem por interpretação incorreta de alinhamentos, offsets ou referências visuais. A navegação em AR ajuda justamente nesse tipo de conferência.
AUTO–IMU de 200 Hz sem calibração
A compensação de inclinação já deixou de ser novidade no mercado GNSS. O problema é que muitos sistemas ainda exigem processos frequentes de calibração manual.
No i85, a AUTO-IMU trabalha sem necessidade desse procedimento.
O conceito é simples: o receptor consegue calcular coordenadas mesmo com o bastão inclinado, mantendo precisão operacional em inclinações de até 60°. Isso agiliza bastante levantamentos próximos a obstáculos, cercas, veículos ou estruturas.
Nivelamento de 0 ≤ 60º
Na rotina de campo, isso costuma eliminar boa parte do tempo perdido tentando nivelar perfeitamente o bastão em locais difíceis.
A diferença para IMUs tradicionais aparece principalmente no início do trabalho. Como não há necessidade de calibração manual constante, a equipe inicia as medições mais rapidamente e reduz interrupções operacionais.
Desempenho GNSS e precisão RTK
1892 canais e rastreamento multi-constelação
O i85 possui rastreamento multi-constelação para:
- GPS;
- GLONASS;
- Galileo;
- BeiDou;
- QZSS;
- NavIC.
- PPP (B2b-PPP, E6B-HAS)
- SBAS (EGNOS – L1, L5)
- Banda L (CHCNAV POINTSKY)
Quanto maior a quantidade de sinais rastreados simultaneamente, maior tende a ser a estabilidade do RTK, especialmente em ambientes parcialmente obstruídos.
O receptor opera com plataforma StellaX e motor iStar 2.0, tecnologias voltadas para melhorar desempenho em cenários mais desafiadores, incluindo interferências atmosféricas e ambientes urbanos.
Na prática, isso impacta diretamente:
- Tempo de fixação;
- Estabilidade da solução fixa;
- Manutenção do RTK;
- Recuperação após perdas momentâneas de sinal.
Em áreas urbanas densas ou sob vegetação moderada, essa diferença operacional costuma ser perceptível.
RTK via satélite com PointSky (Banda L)
O serviço PointSky funciona como um sistema de correção GNSS via satélite, eliminando a dependência de base local ou internet móvel em determinadas operações.
O conceito lembra aplicações PPP-RTK, em que o receptor recebe correções diretamente via Banda L.
Em regiões remotas, mineração, áreas rurais e operações florestais, isso reduz bastante a dependência de infraestrutura terrestre.
Ainda assim, existem limitações práticas importantes. Ambientes com bloqueio severo de céu, como vegetação muito fechada ou cânions urbanos, podem comprometer a recepção do serviço.
O tempo de convergência normalmente varia entre 3 e 5 minutos para atingir precisão centimétrica, embora situações favoráveis possam reduzir esse intervalo.
Resistência e autonomia para trabalho em campo
Estrutura reforçada para uso diário
Equipamentos GNSS de uso intensivo precisam suportar mais do que especificações laboratoriais.
O i85 possui proteção IP68 contra água e poeira, além de construção metálica reforçada para operações externas contínuas.
Na prática, isso significa maior tolerância a:
- Chuva;
- Poeira;
- Lama;
- Vibração;
- Impactos acidentais.
O equipamento também suporta quedas de até 2 metros no bastão, algo relevante em operações de campo, onde deslocamentos rápidos fazem parte da rotina.
Bateria e tempo de operação
A autonomia pode chegar a aproximadamente 20 horas em modo rover.
Em operações longas, isso reduz interrupções para recarga de bateria, principalmente em equipes que passam o dia inteiro em campo sem estrutura próxima.
Pode parecer detalhe, mas em levantamentos extensos isso impacta diretamente a produtividade operacional.
É importante destacar que, se necessário, o receptor i85 possui uma porta USB Tipo-C, que pode ser utilizada tanto para transferência de dados quanto para recarga da bateria. Dessa forma, é possível, caso necessário, ampliar o tempo de operação do equipamento utilizando um cabo USB/Tipo-C conectado a um power bank.
Onde o CHCNAV i85 pode ser utilizado?
Topografia e agrimensura
O receptor atende bem aplicações como:
- Levantamentos cadastrais;
- Georreferenciamento;
- Coleta de pontos inacessíveis (até 10 metros);
- Levantamentos urbanos;
- Apoio à regularização fundiária.
A combinação entre IMU e laser tende a ser especialmente útil em áreas com obstáculos físicos.
Construção civil e infraestrutura
Em obras, os recursos de navegação visual ajudam bastante na locação e piquetagem. A locação visual permite que o operador consiga visualizar pontos, linha ou projetos de CAD em tempo real (realidade aumentada), facilitando o trabalho, ganho de tempo e produtividade.
A integração com fluxos BIM e projetos digitais também favorece operações mais modernas de implantação e conferência.
Em obras lineares ou ambientes urbanos complexos, a redução de retrabalho costuma ser um dos principais ganhos percebidos pelas equipes.
Mineração, florestal e áreas rurais
Terrenos acidentados, vegetação e ausência de internet normalmente representam desafios operacionais importantes.
Nesses cenários, a combinação entre:
- RTK via satélite;
- IMU;
- Rastreamento multi-constelação;
- Laser remoto.
acaba ampliando bastante a capacidade operacional do equipamento.
Lembrando que IMU significa Unidade de Medição Inercial. Mais especificamente, é um sensor que permite inclinar o receptor GNSS sem perder a precisão do ponto levantado.
CHCNAV i85 vale a pena?
Tecnicamente, o i85 se diferencia por integrar múltiplas tecnologias em um único receptor compacto.
Os principais diferenciais são:
- Laser integrado;
- IMU sem calibração;
- Navegação visual em AR (realidade aumentada);
- Rastreamento GNSS avançado;
- Operação leve e portátil.
O equipamento tende a fazer mais sentido para:
- Empresas de topografia;
- Equipes de locação;
- Obras de infraestrutura;
- Operações urbanas complexas;
- Levantamentos em áreas de difícil acesso.
Principalmente quando a produtividade operacional começa a ter tanto peso quanto a precisão.
Especificações técnicas do CHCNAV i85
| Característica | Especificação |
| Peso | 800g |
| Canais GNSS | Até 1.892 |
| Constelações | GPS, GLONASS, Galileo, BeiDou, QZSS e NavIC |
| Precisão RTK | H: 8 mm + 1 ppm / V: 15 mm + 1 ppm |
| IMU | 200 Hz sem calibração |
| Inclinação | Até 60° |
| Laser | Verde Classe 3R |
| Câmeras | 2 MP + 8 MP |
| Proteção | IP68 |
| Resistência | Queda de até 2 m |
| Autonomia | Até 20 horas |
| Comunicação | Bluetooth, Wi-Fi, NFC e UHF |
Nota: quanto maior a inclinação, maior o erro. Ou seja, o RTk possui a compensação de inclinação. Contudo, a incerteza adicional da inclinação do bastão é tipicamente inferior a 8 mm + 0.3 mm/º (milímetros por grau inclinado), até 30º.
Soma-se a isso o próprio erro do equipamento (descrito em suas especificações, disponibilizado pelo fabricante).
Suporte técnico e treinamento fazem diferença?
A importância do pós-venda em equipamentos GNSS
Em equipamentos GNSS modernos, suporte técnico deixou de ser apenas assistência corretiva.
Atualizações de firmware, configuração de correções, integração com softwares e treinamento operacional influenciam diretamente o desempenho em campo.
Na prática profissional, muitos problemas atribuídos ao equipamento acabam relacionados a:
- Configuração inadequada;
- Desconhecimento operacional;
- Ausência de atualização;
- Uso incorreto dos recursos avançados.
Por isso, treinamento e suporte especializado fazem bastante diferença no aproveitamento real do receptor.
O papel da CPE Tecnologia no mercado de geotecnologia
A CPE Tecnologia atua no setor de geotecnologia desde 1974, trabalhando com distribuição, suporte técnico e capacitação para profissionais de topografia, engenharia e agrimensura.
Além do fornecimento de equipamentos GNSS, a empresa também atua em treinamento operacional, assistência técnica e suporte especializado para aplicações de campo.
Para profissionais que desejam adquirir o CHCNAV i85, podem contar com a CPE. Com suporte técnico nacional e estrutura especializada, que costuma ser um fator importante para reduzir tempo de parada e garantir melhor aproveitamento dos recursos do equipamento.
Conclusão
O avanço dos receptores GNSS híbridos mostra que a evolução da topografia moderna não está acontecendo apenas na precisão do RTK.
Recursos como laser remoto, IMU automática, navegação visual e correção via satélite estão mudando a forma como levantamentos e locações são executados em campo.
No caso do CHCNAV i85, o diferencial está justamente na integração dessas tecnologias em um equipamento compacto, portátil e voltado para operações reais de alta produtividade.
Em ambientes urbanos, áreas remotas ou locais com obstáculos físicos, essa combinação tende a gerar ganhos importantes em eficiência, segurança operacional e redução de retrabalho, fatores cada vez mais relevantes na rotina técnica de topografia e engenharia.
FAQ – Perguntas frequentes sobre o CHCNAV i85
O CHCNAV i85 é um receptor GNSS RTK híbrido que combina IMU, laser integrado e navegação visual no mesmo equipamento. Ele é voltado para aplicações de topografia, agrimensura, locação e engenharia.
Sim. O laser integrado pode atingir precisão de aproximadamente 2 cm em até 5 metros e cerca de 3 cm em até 10 metros. O recurso ajuda na medição de pontos inacessíveis ou perigosos.
Sim. Com o serviço PointSky, o i85 pode receber correções GNSS via satélite, reduzindo a dependência de internet móvel ou base RTK local em áreas remotas.
Não. A IMU de 200 Hz funciona sem calibração manual e permite medir com o bastão inclinado em até 60°, agilizando o trabalho em campo.
A autonomia pode chegar a até 20 horas em modo rover, dependendo da configuração e dos recursos utilizados durante a operação.
Sim. O equipamento possui proteção IP68 contra água e poeira, além de estrutura reforçada para suportar impactos e quedas em campo.
O i85 rastreia GPS, GLONASS, Galileo, BeiDou, QZSS, NavIC e SBAS, oferecendo maior estabilidade RTK em diferentes ambientes.
A navegação visual utiliza câmeras e realidade aumentada para facilitar locações e piquetagens, ajudando o operador a encontrar pontos com mais rapidez.
Sim. O equipamento pode ser utilizado em georreferenciamento, levantamentos cadastrais e regularização fundiária, conforme a metodologia adotada.
Depende da aplicação. Em muitos levantamentos GNSS, o i85 reduz a necessidade da estação total, mas em ambientes fechados ou sem visada de satélites ela ainda pode ser necessária.


